25 de novembro de 2010

Emaranhado nas brumas, o Pirata Perna de Pau escreveu:

Caro pássaro nas nuvens,
os seus trabalhos deixam qualquer mortal mais prevenido, ainda que com perna de pau, num estado de imediata e involuntária levitação. Quem os descobre esquece (como eu que vivo perseguindo uma nau sobre estes vapores suspensos na atmosfera que amiúde me impedem de ver o azul do mar) Newton e Einstein. Quem os descobre anda sobre as nuvens e não cai nunca no chão. Para alegria de todos nós, rara capacidade Deus lhe deu. Que a mantenha.

vesti apressadamente o meu vestido de festa para o encontro


22 de julho de 2009





21 de julho de 2009


11 de abril de 2009

o cheirinho a erva-cidreira


jóias










Os amigos

Esses estranhos que nós amamos
e nos amam
olhamos para eles e são sempre
adolescentes, assustados e sós
sem nenhum sentido prático
sem grande noção da ameaça ou da renúncia
que sobre a luz incide
descuidados e intensos no seu exagero
de temporalidade pura

Um dia acordamos tristes da sua tristeza
pois o fortuito significado dos campos
explica por outras palavras
aquilo que tornava os olhos incomparáveis

Mas a impressão maior é a da alegria
de uma maneira que nem se consegue
e por isso ténue, misteriosa:
talvez seja assim todo o amor


(José Tolentino de Mendonça)

14 de novembro de 2008

um poema para mim



Um pássaro pousado para sempre no lugar mais puro da terra
veio ter contigo e pousou também nos teus desenhos
Era o pássaro mais delicado o mais doce o mais suave
era um pássaro que vivia no coração da terra no coração do sol
não vivia longe de mim nunca tinha vivido longe de mim
não podia viver perto dos outros pássaros não podia viver perto dos outros pássaros
era um pássaro que não tinha casa e bebia a água de uma fonte
e bebia a água de uma única fonte na terra e bebia o sol
e bebia o sol e bebia o sol e nunca se cansava de beber o sol
e o pássaro nunca se cansava de beber o sol a água
e o sol vivia no meu coração e o sol vivia no teu coração
e éramos felizes com o sol no coração e éramos felizes com o sol no coração

Isabel Barcelos

sentimentos felizes



Corre, corre atrás da felicidade.
Mas não corras assim tanto!
Pois todos correm atrás dela
E ela os persegue, correndo.

Bertolt Brecht, Ópera dos Três Vinténs

9 de novembro de 2008

sons do vento



abraços



O homem que não ligasse
Qualquer ideia
A uma imagem
Conheceria
O espírito puro

Malcolm de Chazal, Poemas

o teu cheiro a jasmim


gosto de ti assim

vamos ver o mar



1 de março de 2008

tudo se transforma




o caminho de regresso para casa



Ainda na ilha, Beatriz fez-me um desenho quando teve de ser hospitalizada e ainda tudo era o começo. Perguntei-lhe o significado de uma linha grande que serpenteava um longo espaço no papel. Ela respondeu-me: "é o caminho de regresso para casa". Estou à espera dela com os braços abertos e a retirar todos os dias um bocado àquela linha até transformá-la num ponto.